Sábado, Fevereiro 05, 2005
Crítica fraca, feita às pressas e sem inspiração, mas lá vai:
Em Busca da Terra do Nunca
Sir. James Matthew Barrie é um escritor escocês que vive em Londres. Lá, ele escreve suas peças para um público já fiel, e ganha um bom dinheiro com isso. Em sua peça mais recente, enfrenta certas dificuldades de aceitação dos espectadores. Barrie acaba por entrar numa crise, em que lhe falta inspiração e vontade de seguir com os seus escritos. Ao caminhar por um parque, encontra quatro encantadores meninos e sua bela mãe, Sylvia Llewelyn Davies. De imediato, Barrie identifica-se com as crianças, e torna-se um amigo íntimo daquela família, ao mesmo tempo em que mantém uma relação fria e distante com a sua esposa. O seu dia agora limita-se a permanecer com os seus novos amigos, dia e noite. Juntamente com as crianças, cria um mundo fantasioso, cheio de piratas, castelos, selvas e índios. Finalmente inspirado, Barrie começa a escrever uma peça, baseado em tudo o que ocorre com a sua vida naquele momento. Principalmente em sua relação com Peter, o menino caçula, um pequeno indomável. Barrie leva a sua bonita estória ao palco, mas uma intervenção desafortunada do destino faz com que os seus planos não funcionem exatamente como era esperado.
O filme mostra, em sua essência, o processo de criação de J.M. Barrie, o gênio dono de todo o universo místico e fantástico de 'Peter Pan'. Este, talvez, seja um ponto que não irá agradar a todos que estão esperando por um filme intensamente cheio de aventuras e magia. Justamente por estar em um meio-termo: não conta a fabulosa estória do menino que não queria crescer, nem podemos dizer que se trata de uma cinebiografia do conceituado escritor. O roteiro é baseado na peça teatral de Alan Knee, 'The man who was Peter Pan', que idealiza pelo menos um pouco a vida do homem que foi o escritor escocês, incrementando-a com toques da fantasia que ele mesmo criou. Essa é a fantasia que o criador do famoso personagem parecia guardar consigo durante anos, e, só quando conheceu as pessoas perfeitas com quem dividi-la, libertou-a.
Depois de ter feito alguns personagens bastante irreverentes e até cômicos, Johnny Depp, que teve de ter aulas com um instrutor para aperfeiçoar o sotaque escocês, nos aparece em 'Em Busca da Terra do Nunca' de forma bem diferente, refreado, mas, ainda assim, em uma ótima atuação. Saindo de um filme bastante tenso, como 'A Última Ceia', o diretor é feliz em não abusar do relacionamento da mãe dos garotos (Kate Winslet) com o escritor (Johnny Depp). Porém, uma das grandes desvantagens do filme é o clichê-mais-do-que-gasto do drama acerca da doença da mãe dos meninos. A participação de Dustin Hoffman, que, para mim, será o eterno cativante Benjamin Bradock, é um dos pontos altos deste longa-metragem, apesar do papel sem grande importância.
Alguns detalhes importantes da estória de Sir. James Matthew Barrie foram deixados de lado pelo diretor. Eles provocariam uma diferença enorme no contexto do longa-metragem. A quantidade de filhos da senhora Sylvia Llewelyn Davies, e o fato de o pai das crianças não ter morrido, são alguns destes detalhes. Porém a tradição de interpretar a peça utilizando atrizes até nos papéis masculinos foi mantida, dando até um certo charme ao filme. Uma curiosidade é que a jovem atriz principal do filme 'O Jardim Secreto', faz uma aparição durante a peça, interpretando Wendy.
'Em Busca da Terra do Nunca' é um filme bonito, mas que, por não explorar mais a fundo a fabulosa estória criada por Sir. James Matthew Barrie - que só vem a ser mostrada quase ao término do filme -, talvez perca um pouco do encanto para as crianças. Ou até mesmo para nós, eternos meninos.
Por Bia às 2:39 AM - Opine:
Domingo, Janeiro 30, 2005
Os Sonhadores
'A petição é um poema e o poema é uma petição' (Georges Fontaine, 1966)
Um jovem vai viver em Paris com a intenção de aperfeiçoar o seu francês. Ele é Matthew, um rapaz estadunidense, que vive sozinho em um hotel sujo e freqüenta a cinemateca da cidade. O local exibe todos os tipos de filme, do melhor ao pior, um deleite aos cinéfilos da época, e é, também, o local preferido de Isabelle e Theo. Os dois são irmãos, e têm em comum com o Matthew, uma paixão assumidamente intensa pelo cinema. Durante uma manifestação pela permanência de Henry Langlois (uma pequena participação do ator Jean-Pierre Léaud), na presidência da cinemateca, Isabelle conhece Matthew, e logo o apresenta ao seu irmão. Os dois convidam o rapaz para jantar, apresentando-lhe aos seus pais, que viajam no dia seguinte, deixando a casa por conta dos filhos. A partir daí, Matthew muda-se do hotel para a casa dos irmãos, passando a viver algo inesperado e delicioso.
As vidas de Isabelle e Theo imitam o cinema da forma mais apaixonada possível. Eles têm uma relação, no mínimo, insólita, em que a vida e o cinema se misturam, assim como eles próprios. São irmãos gêmeos e, como afirmam no filme, siameses. Donos não do mesmo corpo, mas do mesmo espírito. Os dois submetem Matthew a um teste, que consiste em quebrar o recorde do filme 'Band à part', de Godard, em que os três atores correm jovial e inconseqüentemente pelos enormes corredores e salas do Louvre. Depois desse teste de confiança, os irmãos passam a aceitar o rapaz, formando uma espécie de triângulo amoroso, um dos mais charmosos do cinema de todos os tempos.
Além do filme de Godard, 'Os Sonhadores' faz belíssimas referências a 'Scarface', 'Shock Corridor' e a outros grandes clássicos. Tudo na mais perfeita harmonia entre as cenas dos filmes antigos com a maravilhosa atuação do trio adolescente, que fazem arrepiar os pêlos do corpo dos cinéfilos mais orgulhosos e emotivos. Eva Green, bela jovem francesa está na pele de Isabelle, a donzela da trupe. Em seu primeiro papel, a moça já impressiona. Creio que ela tenha sido o tipo de adolescente sedutora que Bertolucci tentou fazer com Liv Tyler em seu 'Beleza Roubada', mas que não funcionou. Não me assustaria em vê-la como, juntamente com Ludivine Sagnier, a mais nova musa do cinema francês. As duas fazem jus ao título de Brigitte Bardot e Catherine Deneuve. Louis Garrel, que interpreta Theo, também se mostra bastante talentoso, porém não mais do que Michael Pitt, que saiu de seriados adolescentes para provocar, e abusar de sua coragem, fazendo cenas bastante ousadas.
Impossível não comparar 'Os Sonhadores' a outros dois filmes do cineasta: 'O último tango em Paris' e 'Assédio'. O mais recente é como o encerramento de uma trilogia erótica. Um erotismo que poucos podem fazer, pois é difícil, em uma película, exibir cenas tórridas de sexo, com câmeras bastante focalizadas nos órgãos sexuais dos atores, e tornar tudo isso natural, mesmo havendo possibilidades evidentes de incesto. Essas possibilidades ficam apenas na mente do espectador. Apesar da estranha relação entre Isa e Theo, jamais fica óbvio que há entre os dois, sexo propriamente dito. Isa, sim, ama Theo como homem, mas os dois não permitem um ao outro, praticá-lo. Talvez para isso sirva Matthew, o terceiro elemento.
Outro fator importante é o pseudo-sentimento revolucionário de Theo. O rapaz é um grande admirador de Mao Tsé Tung, considera-se um revolucionário, porém nada faz para merecer o título. Os três jovens permanecem, por tempos, praticamente enfornados na casa dos gêmeos, vivendo o sexo de forma alienadora. Só vão para a rua lutar pelo que dizem fazê-lo, quando a rua vai até eles.
Por Bia às 7:53 PM -
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Terça-feira, Janeiro 11, 2005
Que horror, não posto nada desde o ano passado. Tsc. É que eu tinha a esperança de achar um template novo e só queria postar quando o encontrasse. Como ainda não achei, vai nesse mesmo.
Ontem teve reunião do CCR. Quase todo mundo, só faltou o Aílton. Foi bem legal, nós discutimos(Jurandir fez um monólogo, mas enfim) e conversamos que só. Ê! Estrearam umas colunas por lá. Quem quiser conferir, dá uma olhada aí no link. Ah, e eu fiz uma Metamorfose do Lázaro. Tá lindona, super caprichada.
O ano terminou meio mal de filmes... lá pro final de ano, deixei de anotar os títulos que vi, perdi a conta. Triste, triste. Mas tiveram alguns filmes bons, quando tiver um pouco mais de tempo comento alguns deles aqui.
2005 começou um pouco ruim, o primeiro que vi foi "O Enviado", na casa da minha irmã. Mas ter visto "A Ópera do Malandro" falou mais alto, com certeza me trará bons fluidos. :D

Por Bia às 5:31 PM -
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Domingo, Dezembro 19, 2004
Toda vez que eu ouço falar, dá vontade de chorar. Deles, vi Aquarela e A Bicicleta. São lindos, lindos. Sempre que vejo, amo mais e mais o Toquinho. Ficou uma fusão perfeita, suas letras e essas animações. Quem tiver a oportunidade, veja e sinta, como a criança que todos nós ainda somos.
Os sete curtas de animação que fazem parte do Mundo da Criança trazem ilustrações lúdicas e divertidas para diversas obras infantis do músico e compositor Toquinho.
Em Aquarela assistimos à materialização dos sonhos de uma criança que põe no papel sua imaginação e cria seu próprio mundo.
Em
O Pato, as trapalhadas de um pato muito engraçado que vai parar na panela depois de tantas aprontar.
A Casa traz um mímico palhaço que constrói uma casa em que nada existe na rua dos bobos, número zero.
Em
A Bicicleta podemos explorar a liberdade de um passeio muito animado. Dá até vontade de sair do cinema para dar uma voltinha.
A música
Errar é Humano foi escrita dentro de um projeto de Toquinho para retratar a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nessa animação feita para o
Mundo da Criança percebemos que nem sempre é possível ser o melhor nas coisas da vida e que é errando que se aprende.
O Caderno é narrado pelo próprio objeto em que escrevemos e pintamos parte de nossa vida. Fiel acompanhante, ele só fica triste quando é esquecido numa gaveta de um armário qualquer.
Mundo da Criança é uma animação feita para a música que o compositor Toquinho escreveu especialmente para este projeto. Um grande parque de diversões é o cenário para o curta.
Músicas no Mundo da Criança é do Brasil e foi feito por Andrés Lieban em 2003.
* Dica: Cada curta é baseado em uma música composta por Toquinho junto com diferentes parceiros: Aquarela, O Pato e A Casa foram escritas com Vinicius de Moraes; Bicicleta e O Caderno, com Mutinho, M. Fabrizio e G. Morra; Errar é Humano, com Elifas Andreato.
Fonte:
Terra
Por Bia às 2:23 AM -
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Terça-feira, Dezembro 07, 2004
Tô encantadíssima com Swimming Pool - À Beira da Piscina. O filme é o mais recente do conceituado diretor francês François Ozon, de Sob a Areia, Oito Mulheres e outros menos acessíveis.
O filme fala de Sarah Morton, uma escritora de romances policias, daquele estilo folhetinesco, bem característico da Literatura inglesa. Sarah anda sem inspiração pra fazer o que sempre fez, livros todos parecidos e anda querendo fazer algo diferente. Seu editor tem uma casa de campo na França e a oferece para que ela possa se inspirar pra escrever um novo romance. Um dia, ela acaba se deparando com uma jovem loira, linda, lasciva e outros "eles" mais. As duas acabam tendo que conviver na mesma casa, que apesar de grande, parece mínúscula para espíritos tão diferentes. Sarah, uma senhora, vestida quase sempre numa camisola comprida. Julie, a moça, quase nunca com roupa. Hehe. O diretor soube explorar bem os dotes da menina, diga-se de passagem. Com uma difícil harmonia, as personagens vão aprendendo a se aceitar, principalmente quando um incidente acontece, um segredo que irá aproximá-las.
Para os fãs de "Oito Mulheres", que se apaixonaram pela doçura de Ludivine Sagnier, duvido que se acostumem de cara com a sua personagem nesse filme. Ela tá completamente o contrário do que vimos anteriormente, mas ainda assim, bastante encantadora. Ela já havia trabalhado com o François Ozon anteriormente, em
Gotas D'Água Sobre Pedras Escaldantes, de 2000. Com Charlotte Rampling, foi a segunda experiência do cineasta, que a havia dirigido no melancólico
Sob a Areia. Enfim.... o filme tem uma ótima escolha de elenco, roteiro bom e é extremamente bem dirigido. Ah, não duvido nada que a Ludivine seja a próxima Catherine Denevue ou Brigite Bardot. Acreditem, a moça faria jus ao título.
Ficha Técnica:
Título Original: Swimming Pool
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 102 minutos
Ano de Lançamento (França): 2003
Estúdio: Canal+ / FOZ / Fidélité Productions / Gimages / Headforce Ltd. / France 2 Cinéma
Distribuição: Focus Features / Imovision
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon
Produção: Olivier Delbosc e Marc Missonier
Música: Philippe Rombi
Fotografia: Yorick Le Saux
Desenho de Produção: Wounter Zoon
Figurino: Pascaline Chavanne
Edição: Monica Coleman
Por Bia às 2:07 AM -
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